Adeus
E agora quem me ouve, quem me vê, quem me agarra, estas mãos sozinhas, desamparas, inúteis, quem me define? É assim que me respondes, que faço com o silêncio, leio um voltojá, oiço um esperaumbocado ou talvez sinta um desculpa-me e corra atrás das migalhas que deixámos cair entre as lembranças que me escapam…
Talvez me deite aqui contigo, partilha a almofada de mármore, finjo a terra molhada lágrimas que deixas submergir, porquemé,umaesmolaparaquemcáfica, pó nos músculos, comidaparaaalmasenhor, em cada tremor meu voa um bocado mais de ti.
Meu Deus para onde vamos quando houver mais mortos que Terra, que farei quando a calçada forem parentes, amigos e conhecidos que nunca falei, quando à minha volta não restar senão momentos emoldurados, eu a ideia abstracta de um sentimento que se tornou gesto numa palavra.
Estas plantas que crescem à volta do teu tugúrio, deixa-me fazer-te com elas, numa margarida oiço um amo-temuito, olhar de túpilas, a tua pele nas pétalas brancas, nos espinhos o teu abraço, na vida líquida um beijo, a terra a engolir-me, meu corpo uma semente e eu em casa, sufocado em raízes de pensamentos.